MINICURSOS

 

1) A SEQUÊNCIA DIDÁTICA COMO DISPOSITIVO PARA O DESENVOLVIMENTO DAS CAPACIDADES DE LINGUAGEM DO ALUNO

MINISTRANTE(S): PROF.ª DR.ª PAULA FRANCINETI RIBEIRO DE ARAÚJO (IFMA);

Os gêneros de texto permitem a articulação entre as práticas sociais e/ou profissionais e os objetos escolares, contribuindo para a promoção de letramento e o desenvolvimento das capacidades de linguagem dos alunos, garantindo-lhes um melhor domínio dos instrumentos da cultura letrada, para que possam utilizá-los na vida diária e profissional, ou mesmo, para prosseguirem em seus estudos. Como ensinar a comunicação oral e escrita? Sem pretender abraçar a totalidade do ensino de produção oral e escrita, este minicurso objetiva apresentar como elaborar uma “sequência didática” (BRONCKART, 2007; DOLZ; SCHNEUWLY, 2008), um conjunto de atividades escolares organizadas de maneira sistemática em torno da leitura e produção de gêneros de texto orais e escritos como dispositivo para o ensino e aprendizagem de línguas em situação de sala de aula. Tal abordagem encontra toda sua dimensão quando ela se inscreve em um ambiente escolar no qual múltiplas ocasiões de escrita e de fala são oferecidas aos alunos, sem que cada produção se torne necessariamente um objeto de ensino sistemático. Criar os contextos de produção precisos, conduzir as atividades ou múltiplos e variados exercícios: isso que irá permitir os alunos de se apropriarem das noções, das técnicas, das ferramentas necessárias para desenvolver suas capacidades de comunicação oral e escrita nas situações de comunicação diversas: este será o desafio deste minicurso como também: refletir sobre a teoria e a prática da sequência didática em sala de aula de línguas; estudar a didática da produção de texto oral e escrito; analisar a sequência didática como dispositivo para uma didática de ensino de leitura e produção de textos. Como metodologia, em primeiro lugar, apresentaremos o quadro teórico do Interacionismo Sociodiscursivo (BRONCAKART, 2007), que respaldam as sequências didáticas: zonas de desenvolvimento (VYGOTSKI, 1993); estudo de conceitos de texto, leitura e produção de textos (SCHNEUWLY, DOLZ, 2007) e em seguida, a prática de leitura e de produção de textos em sala de aula (ARAUJO, 2009).

PALAVRAS-CHAVE: Interacionismo Sociodiscursivo; Sequência Didática; Gênero de Texto.

2) A INTERCOMPREENSÃO DE LÍNGUAS ROMÂNICAS COMO RECURSO PEDAGÓGICO NA FORMAÇÃO DO ACADÊMICO DE LETRAS-PORTUGUÊS

MINISTRANTE(S): PROF.ª MA. LUIZA DE MARILAC VERAS UCHÔA (UESPI);

A presente proposta de minicurso pretende demonstrar a Intercompreensão de Línguas Românicas (ILR) como uma poderosa ferramenta pedagógica na formação do acadêmico do curso de Letras-Português, ou de outra Língua Românica, como Francês ou Espanhol, uma vez que muitas das disciplinas que compõem a matriz curricular do referido curso estão calcadas nas línguas românicas, a começar pelo Latim. Enfatizamos, também, a importância do conhecimento das línguas para melhor compreender os textos da área de Literatura, que em seu bojo são construídos no contato entre línguas românicas, como o galego-portuquês, o espanhol, o italiano e o francês. Concebemos a ILR como uma ferramenta pedagógica que pode proporcionar aos discentes reflexão metalinguística, novos olhares e uma mudança de paradigmas. Por seu caráter mediador, desencadeador e motivador, a Intercompreensão (IC) pode trazer um reforço à abordagem de conteúdos constantes na matriz curricular do curso de Letras, por ser uma ferramenta utilizada para compreensão das línguas, a fim de extrair seus sentidos, compreendê-las. Importante colocar que a diversificação das línguas em circulação e a ênfase no acesso à informação e à comunicação estão postas na Declaração Universal dos Direitos Linguísticos, estabelecida pela Unesco (1998). Propomos, aqui, uma ação de promoção da educação plurilíngue, pondo em evidência o papel da linguagem e das diferentes línguas na formação do profissional das Letras. O conteúdo abordado no minicurso consta da imersão dos participantes na leitura de pequenos textos em línguas românicas, tais como o latim, o espanhol, o italiano e o francês; material embasado, principalmente, no conteúdo de disciplinas constantes na Matriz Curricular dos cursos de Letras Português. Do exposto, justifica-se a importância do minicurso aqui proposto, por seu aspecto inovador na introdução de uma didática plurilíngue como ferramenta pedagógica na formação do acadêmico de Letras-Português, ou outra língua românica, uma vez que, no contexto da Academia, como colocam Lens e Berthele (2010), “(...) a capacidade de ler textos autênticos em diversas línguas estrangeiras é uma competência preciosa em diversos domínios do conhecimento científico”. Enfatiza-se, também, o contexto do mundo globalizado no qual estamos inseridos, além dos programas de mobilidade acadêmica disponibilizados a estudantes universitários brasileiros de diversas áreas do conhecimento. Importante enfatizar que a docente que encabeça a proposta possui longa experiência docente em cursos de Letras Português e Francês, por ser graduada e pós-graduada em cursos envolvendo essas duas línguas românicas.

PALAVRAS-CHAVE: Intercompreensão; Línguas Românicas; Formação.

3) ELABORAÇÃO E ADAPTAÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS PARA A AULA DE INGLÊS ATRAVÉS DE TECNOLOGIAS DIGITAIS: CONCEITOS, QUESTIONAMENTOS E REFLEXÕES

MINISTRANTE(S): PROF.ª MA. LARISSE CARVALHO DE OLIVEIRA (URCA);PROF. ME. JORGE LUIS QUEIROZ CARVALHO (UERN)

Considerando a importância da Língua Inglesa (LI) no cenário educacional brasileiro, e seu status de língua franca (RAJAGOPALAN, 2005; CRYSTAL, 2012), é relevante voltarmos nossa atenção para ações que proporcionem alternativas de trabalho com essa língua na escola pública. Admitimos que, por razões de natureza social, econômica, pedagógica e/ou política, o livro didático tem sido, ainda hoje, a ferramenta mais viável e uma das – se não a mais – comum em salas de aula da educação básica. No entanto, ressaltamos que, com o advento das novas tecnologias da comunicação, as possibilidades de adaptar e criar materiais didáticos foram ampliadas. Dessa forma, temos por objetivo, nesse minicurso, discutir noções teóricas relacionadas a produção e adaptação de materiais didáticos, além de refletir sobre ferramentas e materiais que corroborem para o ensino de LI, a formação do professor dessa língua bem como sobre o uso de tecnologias digitais na aula de língua estrangeira. Saraceni (2003), Tomlinson (2001) e Richards (2005) são alguns dos autores com os quais dialogamos a fim de introduzir noções clássicas acerca da temática aqui abordada. Visamos continuar o debate, ainda, apresentando conceitos referentes aos (multi)letramentos instaurados por autores como Street (2003, 2014); Street e Castanheira (2014), Rojo (2009); Novais, Ribeiro e D’Andrea (2011) – cujas perspectivas tem evidenciado, entre outros aspectos, a importância das tecnologias digitais nas relações sociais do mundo contemporâneo. As noções discutidas são perpassadas por uma concepção de ensino que visa uma prática emancipadora, na medida em que acreditamos que a elaboração e adaptação de materiais didáticos, assim como seu desenvolvimento em sala de aula, podem promover práticas de letramento e, consequentemente, novas formas de envolvimento e participação popular. Metodologicamente, procederemos a uma abordagem didática de natureza expositivo-dialogada, visto que objetivamos construir conhecimentos, também, a partir de questionamentos, práticas, leituras e experiências prévias dos inscritos. O público alvo desse minicurso são professores de língua inglesa em formação, professores da educação básica e/ou superior, estudiosos da área e demais interessados na temática abordada.

PALAVRAS-CHAVE: Elaboração de materiais didáticos; Tecnologias digitais; Língua inglesa.

4) OS SENTIDOS DEÔNTICOS NA COMPREENSÃO DE GÊNEROS TEXTUAIS

MINISTRANTE(S): PROF.ª DR.ª MARIA FABIOLA VASCONCELOS LOPES (UFC/UFMG);

O minicurso aqui proposto se relaciona ao trabalho desenvolvido nos estudos de pós-doutoramento na Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, o qual tem como objeto de investigação a modalidade deôntica no gênero peça de teatro. A modalidade deôntica se situa no domínio do “dever”, relacionando-se aos eixos do obrigatório, do proibido e do permitido. Tal modalidade é, portanto, uma modalidade intersujeitos, pressupondo uma relação hierárquica entre o falante, origem deôntica, e o ouvinte, alvo deôntico. Analisada sob o olhar funcionalista, que nos possibilita levar em consideração forma e sentido, a modalidade deôntica revela ao pesquisador efeitos de sentidos que subjazem a superfície de um texto. Assim, tentaremos compreender por meio do minicurso o caráter plurissignificativo que envolve a modalidade em especial, os modais. De acordo com Tomasell (2008), consideramos que na atividade interativa há o cumprimento de determinados propósitos discursivos e, para isso no contrato interativo, locutor e interlocutor compartilham ações e intenções. Então, entendemos que os personagens podem fazer uso de diversos tipos de marcadores da modalidade deôntica tais como modais (poder), expressões (ter quer), imperativos e outros, empreendendo-lhes cargas semânticas dependentes do contexto situacional de uso e/ou da intenção do falante Dessa forma, em nosso minicurso, o apoio teórico se norteia por autores como Palmer (2001), Dik (1997) e Neves (2006), dentre outros, para, em um primeiro momento, conceituarmos o tipo de modalidade em questão e estabelecermos suas características. Na sequência, trataremos das categorias de análise mais recorrentes em investigações sobre a modalidade deôntica, como as propostas em Bybee, Perkins e Pagliuca (1994), Lopes (2009, 2012). Na questão do gênero Marcuschi (no prelo), será nosso foco. Por fim, nossa explanação conterá o gênero textual peça em oposição a um outro gênero. Dessa maneira, apresentaremos o tratamento da modalidade deôntica em material autêntico. Por fim, entendemos que a investigação é relevante uma vez que o entendimento acerca dos modalizadores deônticos veiculados podem gerar orientações mais seguras aos profissionais do ensino e melhor entendimento sobre gênero textual.

PALAVRAS-CHAVE: Modalidade deôntica; Gêneros textuais; Peça de teatro.

5) PAPEL DOCENTE NO ENSINO DE INGLÊS PARA FINS ESPECÍFICOS

MINISTRANTE(S): PROF.ª MA. ADRIANA DA ROCHA CARVALHO (IFCE);

Este minucurso pretende mostrar aos professores de língua inglesa uma tendência que está crescendo no cenário mundial: o ensino de Inglês para Fins Específicos. Apesar de não ser algo novo, o ensino de Inglês para Fins Específicos ou ESP (English for Specific Purposes) ganha uma nova perspectiva ao incorporar a Análise de Necessidades como ponto fundamental para compor o seu programa de ensino. Com o apelo de ser mais eficiente e ter um custo menor para os estudantes e/ou instituição, o ensino de idiomas para fins específicos tem se mostrado bastante eficaz. Nesse minicurso, serão apresentados case studies que se utilizaram de Análise de Necessidades para constituir o programa de ensino de disciplinas de ESP no Brasil e no mundo, além de apresentar o panorama de cursos superiores no IFCE que utilizam o ESP para a área de Informação e Comunicação. Como apoio utilizaremos autores como Dudley-Evans e St. John(1998), Richards (2001), Long (2005), Huhta (2010), Basturkmen e Elder (2013), Huhta et al (2013) e Flowerdew (2013).

6) ENUNCIAÇÃO E GRAMÁTICA: O VERBO COMO SUPORTE PARA O ESTUDO DA CONSTRUÇÃO DE SENTIDO

MINISTRANTE(S): PROF.ª ESP. DEISLÂNDIA DE SOUSA SILVA (UESPI);MA. ANDREANA CARVALHO DE BARROS ARAÚJO (UFPI)

O objetivo deste minicurso é apresentar como os verbos podem ser trabalhados na perspectiva da TOPE (Teoria das operações Predicativas enunciativas). Assim, propomos uma reflexão sobre a construção de sentido das unidades no e pelo enunciado, destacando a importância das relações contextuais e cotextuais nessa abordagem. Durante toda a vida escolar, aprendemos que o sentido das palavras é pré-estabelecido como se fossem etiquetas. As gramáticas, de uma forma geral, e até mesmo muitas abordagens linguísticas apresentam as unidades com um sentido estável, como se tivessem um sentido próprio e inalterado. Na realidade, entendemos que a atividade de linguagem em si é um processo complexo e quando lidamos com essa atividade de linguagem, estamos tratando da heterogeneidade. Isso dificulta, de certa forma, predefinirmos conceitos e sentidos para as unidades morfolexicais, visto que dependemos da articulação de diversos domínios quando nos ocupamos da linguagem. Uma unidade, qualquer que seja, não pode simplesmente receber um rótulo e se estabelecer enquanto tal em todas as suas circunstâncias de uso, ou seja, na atividade de linguagem. Buscamos, então, apresentar um estudo acerca da construção de sentido dos verbos a partir da variação de suas ocorrências, tomando como base o enfoque da TOPE, na abordagem de Antoine Culioli (1990; 1999b), de Vogüé, Franckel e Paillard (2011), Valentim (2010), entre outros, os quais defendem o sentido como sendo construído no e pelo enunciado. Para análise e discussão, utilizamos como exemplos, ocorrências extraídas do cotidiano dos falantes. Desse modo, observamos que a unidade morfolexical correr, por exemplo, apresenta variação de sentido em função do sujeito (o tempo corre, a menina corre), e do complemento (correr risco, correr a maratona) o que pode ocorrer com qualquer outra unidade. Nessa perspectiva, nenhuma unidade pode ser considerada como portadora de um sentido estável, pré-estabelecido, mas construído no e pelo enunciado. Se o sentido de uma unidade morfolexical é visto dessa forma, buscaremos mostrar como seu sentido é construído e que elementos podem ser capazes de contribuir para isso.

PALAVRAS-CHAVE: Enunciação; Gramática; Sentido.

7) LITERATURA E ADAPTAÇÕES INTERSEMIÓTICAS: NOVAS PROPOSTAS PARA O ENSINO DE LITERATURA EM SALA

MINISTRANTE(S): PROF.ª MA. IZABEL CRISTINA BARBOSA DE OLIVEIRA (UAB);PROF. ME. RONALDO MIGUEL DA HORA (EAMPE)

Há uma resistência, por parte dos estudantes, com relação à leitura de textos literários clássicos em sala de aula, atividade vista como um desafio pelos professores. A adaptação intersemiótica aparenta ser uma saída para o aparente fracasso da leitura, abrindo novas possibilidades para a formação de leitores e apontando um caminho para a sobrevivência de obras literárias (LEFEVÈRE, 2007). A adaptação intersemiótica consiste na leitura da obra e sua releitura a partir de outras linguagens, como: quadrinhos, audiovisual (desenho animado, curta e longa-metragens), desenhos ou fotos de maneira geral. A cultura contemporânea apoia-se na imagem, colocando o texto em segundo plano (FREITAS, 2013), desta forma, existe uma necessidade de se trabalhar estes textos de uma maneira mais atrativa, de acordo com as atuais necessidades dos leitores. O prazer pela leitura também pode ser ensinado, segundo Kleiman e Moraes (1999) a partir de uma abordagem de leitura que leve o aluno ao prazer da descoberta. Para isso, a leitura deve ser encarada como um jogo, uma atividade lúdica para o aprendiz. Segundo Dalvi (2013) sempre é que possível atualizar o texto literário, dar uma nova roupagem ao texto, reinventando-o. A adaptação intersemiótica do texto literário passa por uma relação direta com a intertextualidade (Koch, Bentes e Cavalcante, 2008). Os objetivos deste minicurso são: escolher algumas obras literárias clássicas para serem adaptadas; mostrar algumas adaptações intersemióticas já existentes; e utilizar alguns recursos multimodais no processo de adaptação intersemiótico; e propor oficinas de adaptação intersemiótica em sala de aula a fim de formar leitores. Para tanto, os dois organizadores, após se apresentarem aos componentes do minicurso, abordarão temas sobre o ensino de literatura em sala de aula, adaptação imtersemiótica e multimodalidade. Em seguida, serão expostos alguns clássicos da literatura, tanto nacional como internacional, no original e algumas adaptações intersemióticas. Para cada adaptação, serão analisados quais aspectos multimodais foram utilizados e como estes podem aprimorar o processo de adaptação, adequando-os a novos gêneros textuais. Os participantes receberão orientações para que, em pequenos grupos, desenvolvam as adaptações de alguns clássicos, os títulos destas obras serão sorteadas no minicurso. Para cada tipo de clássico sorteado, os participantes deverão escolher 01 (uma) linguagem para a adaptação, preferencialmente bastante diferente da original. Em paralelo com essa atividade, serão dadas informações a fim de que os participantes desenvolvam as adaptações intersemióticas. Cada tipo de adaptação ficará a critério dos grupos.

PALAVRAS-CHAVE: textos literários, adaptação intersemiótica, multimodalidade.